Abordagem sistémica

Ver as págs. 147-155 do livro "Teorias da Organização..."
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Aplicação:

Tomemos o exemplo de uma universidade: o que é a perspectiva sistémica da universidade (isto é, baseada na teoria de sistemas)?

Adoptar uma perspectiva sistémica significa tentar ver as partes e simultaneamente o todo. Ou seja, por um lado, abarcar o maior número de aspectos possíveis, e, por outro lado, ver a organização como um corpo único, dotado de uma finalidade e uma acção face ao meio envolvente.

Para caracterizar a universidade como um sistema é necessário identificar e caracterizar de que elementos se compõe, que relações há entre estes e que relações há entre o conjunto e o meio (quando o sistema é muito complexo procuram-se os elementos e as relações mais significativas e com maior impacto na vida do sistema, como os exemplos abaixo).

As partes ou elementos e sua caracterização (aqui não exemplificada) que definem a estrutura do sistema:

Estruturas e divisão do trabalho: orgãos de governo (exemplos: reitoria, conselho geral, etc. – ver estatutos), estruturas de produção (exemplo: escolas, departamentos), estruturas de administrativas e de apoio (exemplos: serviços académicos, centro de informática), diversos grupos de pessoas (exemplos: funcionários, professores, estudantes) , etc.

Recursos: físicos (terrenos, edifícios, equipamentos), financeiros (dotação do Orçamentos de Estado, propinas), pessoas e conhecimento.

Stakeholders’ (partes interessadas): além dos funcionários e estudantes, também a população e as organizações de Vila Real, da região e do país que directa ou indirectamente interagem com a universidade.

Cultura e dinâmicas sociais: formas típicas de actuar, internamente e externamente.

As relações, ou interacções entre as partes, que definem o comportamento do sistema:

Internas: regras que regem o relacionamento formal (exemplos: estatutos, normas pedagógicas); processos de trabalho (exemplo: a sequência de trabalho numa unidade curricular) e procedimentos administrativos (exemplo: lançamento de notas e assinatura pelo respectivo juri); relações de poder (exemplo: os professores podem impor certas decisões sobre os estudantes) e práticas informais (exemplo: tolerância de entrada na sala de aula). Estas relações resultam numa acção dinâmica que aproxima, mais ou menos, a organização dos seus objectivos (ver-se-á que há também objectivos, por vezes contraditórios, ao nível das partes).

Externas: transações com os ‘stakeholders’ ou partes interessadas (exemplos: financiamentos, compras, prestação de serviços, produção de conhecimento, emissão de diplomas); efeitos directos e indirectos sobre a demografia, a economia e a cultura. Nota: um sistema pode ser mais ou menos aberto (ou fechado).

A visão do todo:

A visão sistémica não se limita à caracterização dos elementos e das suas relações de uma forma estática: um sistema é geralmente dotado de um propósito (ou vários) e transforma-se (evolui) incorporando informação sobre o seu relacionamento interno e externo (retro-acção). Por isso é importante: atender à história da organização (a sua evolução no tempo) e à forma como se intergra no meio (constituindo um sub-sistema de uma sistema mais vasto).

No caso da universidade tratar-se-ia de procurar saber o que motiva as pessoas, as instituições e o próprio Estado a contribuir para a sua existência, contribuição vista à luz da evolução das instituições congéneres e da evolução da sociedade portuguesa (por exemplo: tipologias e localização geográfica das instituições de ensino, função social da universidade, consequências da sua existência, evolução do seu perfil e dimensão, etc.). A UTAD, por exemplo, surgiu nos anos 70, juntamente com outras universidades do interior, e desenvolveu-se nas décadas seguintes, num contexto de forte expansão do ensino superior em Portugal. Mais recentemente o seu perfil 'agrário' alterou-se, ganhando maior peso as engenharias e as ciências sociais, ao mesmo tempo que viu reduzido o número de alunos, em grande parte por motivos demográficos. Boa parte da sua sobrevivência, tal como outras, deve-se ao facto de o ensino superior ainda ser fortemente regulado pelo Estado o que condiciona a competição entre instituições.